Essa semana tive a ideia de procurar o que meus colegas de turma do Brasil e França estão fazendo, quase 10 anos após formados em Engenharia. Me deparei com uma diferença significativa: os Brasileiros, em sua maior parte, estão em bancos de investimento, consultorias e cargos de coordenação/gerência, enquanto os Franceses estão quase que em sua totalidade em cargos de engenharia. Fiquei pensando no principais motivos que poderiam explicar essa diferença.
Em primeiro lugar, acredito que a disponibilidade dos cargos técnicos e de engenheira na França (ou a indisponibilidade e desvalorização no Brasil, como você preferir chamar) tem bastante influencia nessa discrepancia.
No Brasil, lembro que ao me formar, as principais oportunidades que surgiam para os recém formados eram cargos de trainee/analistas nos times corporativos de grandes empresas, ou mesmo em bancos ou consultorias. Os raros casos de cargos em engenharia, quando surgiam, pagavam abaixo do que as demais vagas ofertavam.
Acredito que isso reflete na composição atual dos meu colegas de faculdade no Brasil: apenas 20% em indústria, e os demais distribuídos entre consultoria (30%), banco de investimento (20%) e 30% distribuídos entre cargos comerciais, corporativos de empresas, educação e empreendedores.
Em segundo lugar, acredito que por parte do estudante existe mais interesse em seguir o cargo técnico na França, pela forma com o curso é estruturado e integração universidade <> empresa. Primeiro, a infraestrutura na França era muito melhor. Isso passava não só pela qualidade dos equipamentos de sala de aula e laboratório, mas a própria dinamica de ensino (que mesclava teoria e logo na sequencia aplicação prática em TPs - travaux pratiques), o material didático (cada aula tinha sua apostila pré montada, com textos e exemplos, que removia a necessidade de 'anotar no caderno' durante a aula e dava a possibilidade de prestar atenção 100% no que o professor passava) e o interesse do professor em passar o conhecimento (contraponto com a faculdade brasileira, em que se dava a impressão de muito mais uma obrigação do docente do que um prazer pelo ensino).
Entendo que muitas universidades no Brasil tem o foco acadêmico e em geração de pesquisa, mas essa negligencia da formação voltada para a aplicação pratica acaba também desviando o aluno nao só da carreira academica, mas também da industria brasileira, que se torna um problema do mesmo tamanho.

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